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Guia Cidades Sustentáveis: Quais são e 15 ações para copiar

Escrito por Ludmila Alves 25 de setembro de 2018
Guia Cidades Sustentáveis: Quais são e 15 ações para copiar

Somando os diferentes conceitos difundidos, cidades sustentáveis são aquelas capazes de causar o menor impacto ambiental possível na área onde se encontram, ao mesmo tempo em que promovem o desenvolvimento local. Isso pode ser alcançado por meio do controle das emissões de carbono (o indicador mais utilizado), dos resíduos gerados, reciclados e reaproveitados e do uso de fontes energéticas renováveis e não poluentes .

E, acredite, são vários os lugares do mundo buscando alternativas para se tornarem cidades sustentáveis! Afinal, se queremos ser resilientes aos problemas ambientais e preservar a vida do nosso planeta (incluindo a nossa), essa adaptação é necessária.

No entanto, mais do que conhecer a lista destas cidades que conseguem ter boas práticas ambientais e admirá-las, é necessário nos inspirarmos e aplicarmos essas mesmas ações onde vivemos, sejamos parte do governo, da indústria ou de uma comunidade.  

Assim, esse texto traz um apanhado sobre o que nós precisamos saber sobre cidades sustentáveis e como usar esses conceitos e práticas onde trabalhamos e onde vivemos.

Parte 1 –  Conceitos sobre cidades sustentáveis e como elas são avaliadas
Por que toda cidade deveria ser sustentável?
– Glossário das Cidades Sustentáveis
O que faz um lugar estar entre as cidades sustentáveis?
– O Green View Index
– Métricas da cidade sustentável para além do meio ambiente

Parte 2 – Top cidades mais sustentáveis
As cidades mais sustentáveis do mundo
Cidades sustentáveis no Brasil

Parte 3 – Como criar cidades sustentáveis
Práticas que podem ser adotadas em qualquer cidade
Responsabilidades governamentais para criar cidades sustentáveis
Como pessoas podem colaborar para uma cidade mais sustentável

Boa leitura!

Por que toda cidade deveria se preocupar em se tornar sustentável?

Sabe aquelas notícias sobre uma possível falta de água em uma metrópole nos meses mais secos do ano? Elas mostram como tais lugares (ou melhor, poder público, privado e comunitário local) negligenciam o ser sustentável, que pode ser entendido como usar os recursos disponíveis sabiamente, sem desperdícios, de modo a mantê-los e sem causar danos ambientais.

É um grande desafio, afinal, a população urbana não para de crescer: até 2050, seremos 30% a mais no mundo. Assustador? Sim! E é exatamente por isso que agora é a hora de mudar: porque ainda temos tempo.

Outro problema real são as mudanças climáticas com seus diferentes efeitos em cada parte do mundo. Com temperaturas diferentes, a disponibilidade dos recursos como água e alimentos se alteram, bem como os riscos de catástrofes naturais.

Nesse contexto, o motivo para uma cidade ser sustentável é conseguir manter o suprimento de itens básicos às pessoas: água, alimentos, ar limpo, mobilidade, saneamento básico, proteção aos riscos de contaminações e outros pontos.

Leia também: O que é Transition Towns e como fazer parte desse movimento

Obviamente, também não podemos esquecer da necessidade de reduzir o impacto ambiental e parar de contribuir para os problemas climáticos e para os danos aos solos, plantas e animais. Tudo faz parte de um sistema que funciona e reaproveita cada elemento, porém a intervenção humana é capaz de dar fim ao que é natural e causar desequilíbrio.

Por fim, outro motivo para cidades serem sustentáveis é porque assim podem se tornar resiliente a esses problemas, saber contorná-los em vez de sofrer consequências das secas, das chuvas excessivas, da geração de lixo em alta escala, da poluição vinda dos transportes, por exemplo.

Em resumo, ser uma cidade sustentável é a única forma de gerar qualidade vida às pessoas em meio a uma crise ambiental real.

Glossário

Antes de prosseguir a leitura e aprender muito sobre as cidades sustentáveis, é importante se familiarizar com alguns termos comuns nesse contexto. São eles:

Cidade Sustentável: Cidade que se desenvolve causando o mínimo de impacto ambiental o possível. Em outras palavras, ela usa bem os recursos naturais de modo a não esgotá-los e sem promover impacto ambiental negativo.

Cidades Inteligentes – Smart Cities: é o uso da tecnologia para melhorar toda a operação que acontece em uma cidade, o que pode acontecer para promover a sustentabilidade, mobilidade, conectividade, participação social, gestão de resíduos, gestão administrativa, fornecimento de água e de energia, dentre outros processos.

Uma Cidade Inteligente é caracterizada principalmente pelo uso de software nessas atividades, por meio de tecnologias como o Big Data e a Internet das Coisas. Isso facilita as ações da população, bem como o gerenciamento administrativo.

Em Barcelona, por exemplo, está sendo planejado um sistema de luzes que só acendem quando detectam movimento, o que promove economia energética. Em Singapura, as pessoas são notificadas pelo Smartphone quando estão fumando em locais proibidos para isso.

Até 2021, estima-se que as smart cities economizem mais de U$ 19 bilhões! Mas para essa transformação, os investimentos são altos: o cálculo é que serão movimentados cerca de U$ 15 bilhões para a implantação de softwares. Por isso, é algo que veremos acontecer primeiro nos países economicamente mais ricos.

Green bonds – títulos do governo usados para investir em sustentabilidade. Assim, o investidor que coloca capital em um green bond terá esse dinheiro usado em projetos ambientais na cidade. É um recurso financeiro criado em 2013 em Gothenburg, na Suécia.

Telhado verde – Green Roof: estruturas instaladas no telhado ou no terraço de edificações com o objetivo aumentar a área verde nas cidades. Pode ter objetivos paisagísticos, de cultivo de alimentos, de filtragem da água ou do ar, bem como de preservação ambiental.

Em todos os casos, contribui para o equilíbrio do clima local e tem forte presença nas cidades nórdicas.

cidades sustentáveis - telhado verde em vancouver

Zero Carbono – Carbon Free: para cidades e projetos que, apesar de emitirem carbono, conseguem compensar sua emissão através da absorção desse composto pelas plantas ou pela transformação dos gases a níveis suficientes para não poluir. Também é descrito como um impacto zero de carbono.

Carbono Neutralizado – Carbon Neutral: O mesmo que zero carbono.

Zero Waste Cities – Cidade Lixo Zero ou Cidade Desperdício Zero: conceito que hoje descreve cidades com capacidade de compostar e reciclar praticamente todo o lixo produzido, como é o caso de San Francisco na Califórnia.

Segundo a Zero Waste Europe, por exemplo, uma Cidade Desperdício Zero é aquela que está comprometida a não desperdiçar resíduos e simplesmente jogá-los fora. Portanto, na Europa se avalia quanto a cidade reduziu em geração de lixo com o passar dos anos e não se ela zerou essa produção.

Pronto! Agora você já pode estudar tudo sobre cidades sustentáveis sem precisar recorrer ao Google toda hora!

O que faz um lugar estar entre as cidades sustentáveis?

Você sabe porque tantas cidades nórdicas entram nos rankings dos locais sustentáveis? Por que Curitiba e San Francisco também estão presentes? O que elas têm em comum?

A métrica mai usada para considerar quais são as “cidades verdes” é o volume das suas emissões de carbono, vindas tanto dos meios de transporte como do uso de energia fóssil (proveniente da queima do gás, petróleo e outros combustíveis) principalmente, uma fonte nada renovável.

É por este motivo que as cidades com projetos que visam a mobilidade urbana, contemplando a melhoria do transporte público e de ciclovias, costumam figurar entre as mais sustentáveis, como é o caso de Copenhague na Dinamarca. Cidades que procuram fontes de energia alternativas como a solar e o biogás também se destacam.

O segundo critério mais citado por quem está na vanguarda desse movimento é a capacidade do local ter resiliência aos desafios atuais como o crescimento da população, as mudanças climáticas e a sustentabilidade de recursos.

Ganham pontos aqui as cidades com projetos que se antecipam e visam combater problemas ambientais, procuram reciclar e reutilizar mais para se tornar lixo zero, utilizam de tecnologias que facilitam a adaptação das pessoas e instituições, contribuem para a economia e o combate à pobreza locais, ao mesmo tempo em que promovem o bom uso dos recursos ambientais.

O Green View Index

Pouco explorado, mas já bastante difundido, o Green View Index adotado pelo Fórum Econômico Mundial mede a cobertura verde, que são as árvores, nas ruas das cidades.

O “dossel verde”, como é chamado, merece importância quando o assunto é sustentabilidade urbana porque é capaz de reduzir e equilibrar a temperatura local, suavizar a poluição gerada, bem como aumentar a capacidade de absorção da chuva, o que reduz riscos de alagamento.

Por tantos benefícios trazidos para a selva de concreto, aumentar a cobertura verde nas cidades está entre as 10 atitudes definidas como primordiais no Conselho da Agenda Global para o Futuro das Cidades de 2015.

O projeto que faz esse mapeamento, o Treepedia, é uma parceria entre o MIT e o Fórum Econômico Mundial onde o Google Street View é usado para verificar a densidade de árvores pelas ruas da cidade, sem contar os parques e praças.

Desse modo, a ideia é incentivar governantes e as pessoas a trabalharem pelo aumento dessa cobertura verde e fazer com que tenham conhecimento sobre essa realidade.

Das cidades brasileiras, São Paulo é a única mapeada. Com um Green View Index de 11.7%, a cidade tem uma porcentagem verde similar a metrópoles como Londres, Nova York e Paris. Enquanto isso, cidades como Durban na África do Sul, as canadenses Montreal e Vancouver, bem como várias nórdicas, chegam a mais de 20% no índice.

Como a própria comunicação do índice afirma, e faço disso também minhas palavras, a ideia não é gerar competição entre as cidades. É mostrar que todas podem aumentar seu número de árvores!

Métricas da cidade sustentável para além do meio ambiente

Sustentabilidade, apesar de uma palavra que pode ser aplicada para tudo que pode ser sustentado e ter continuidade, é bem mais empregada no âmbito ambiental. Mas ela também é usada em outros contextos como o sustentabilidade financeira para empresas ou a sustentabilidade de um projeto de trabalho, por exemplo.

Pela necessidade de haver sustentabilidade também fora das questões da natureza que também garantem a qualidade de vida para pessoas, animais e o meio ambiente, há índices que consideram outros fatores para eleger as cidades sustentáveis, como é o caso das métricas utilizadas pelo Center for Economic Business Research e a Arcadis em sua pesquisas.

Em sua lista das cidades mais sustentáveis do mundo, a instituição considera 3 pilares: o ambiental, o pessoal e o econômico. Afinal, uma cidade é um sistema que precisa de recursos além dos ambientais para trazer uma vida plena às pessoas.

Social: considera a qualidade de vida, métrica que abrange níveis de saúde (taxa de obesidade e doenças do estilo de vida), escolaridade, bem como o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Econômico: analisa fatores como a performance dos negócios locais, sua importância na rede de outros negócios (próximos ou em escala mundial), a taxa de empregabilidade e outros pontos ligados ao impacto econômico que uma empresa gera.

Ambiental: além das emissões de carbono, aqui se avalia o consumo de energia na cidade, bem como se tal fonte é sustentável, qual é a taxa de reciclagem e a de compostagem, assim como a qualidade do ar e da água.

Notamos aqui uma classificação bem relevante que olha para o sistema. Porém, podemos pensar que, nesse caso, cidades que não se destacam tanto no fator ambiental mas têm muitos pontos nas áreas sociais e econômicas aparecem como as mais sustentáveis mesmo sem atitudes verdes.

No entanto, o relatório nos mostra que as cidades avaliadas só pelos fatores ambientais ranqueadas entre as mais sustentáveis são praticamente as mesmas ranqueadas na lista que considera a sustentabilidade do sistema ambiental, social e econômico.

Mais um motivo para que cidades se importem com o ambiente: projetos com esse voto conseguem se integrar bem com a economia e o bem-estar na vida das pessoas.

As cidades mais sustentáveis do mundo

Faça uma pesquisa no Google e você encontrará várias listas no estilo top 10 com diferentes cidades presentes entre as mais sustentáveis.

Mas como o intuito aqui não é trazer o lugar no ranking, mas sim inspiração, agrupei mais de 13 localidades de diferentes listas para termos os melhores exemplos de como são as cidades sustentáveis na prática.

São elas:

🌿 Dubai, Emirados Arábes

Quem diria que a terra dos sheiks do petróleo, além de ser a número 1 em tantos critérios, também é uma das mais sustentáveis?

A cidade foi planejada levando em consideração sua sustentabilidade, portanto, quase tudo atende aos critérios de redução de emissão de carbono e soluções para resiliência às mudanças climáticas.

Para se ter ideia, as construções são feitas de modo a reduzir o uso de ar condicionado e a maioria da energia é de fonte solar. A água do chuveiro e da máquina de lavar é tornada limpa novamente e percorre os córregos artificiais da cidade, que contam com plantas nas margens que absorvem ainda mais os resíduos que sobraram na água.

Dubai é cheia de estufas para vegetais e ervas serem de fácil acesso aos moradores. Também é repleta de tamareiras, o que atrai abelhas que maximizam sua polinização e, assim, permitem que as árvores produzam bastante.

cidades sustentáveis - Dubai

E é claro que eles pensam nas emissões de carbono. Ainda há um forte incentivo aos carros elétricos, com carregadores para esses veículos em vários espaços públicos.

É mesmo uma cidade que faz nossos olhos brilharem.

🌿 Oslo, Noruega

Em Oslo, ecoeficiência é cultural! O governo incentiva e provê recursos para que as pessoas desperdicem menos, consumam mais alimentos naturais e preservem o ambiente ao redor.

É um ótimo exemplo de cidade que vê a sustentabilidade no sistema que inclui pessoas, economia e meio ambiente.

🌿 San Francisco, Estados Unidos

A reciclagem é fácil, acessível e obrigatória em San Francisco, fazendo com que a cidade gere relativamente pouco lixo.

Além disso, a cidade é amigável ao pedestre, tornando mais fácil deixar o carro e sair a pé ou de bicicleta,

🌿 Vancouver, Canadá

Vancouver tem as menores emissões de carbono per capta do mundo graças aos esforços para acabar com o uso de combustíveis fósseis, meta que deve ser batida até 2050.

Para consegui-la, a cidade canadense incentiva fortemente a troca por carros elétricos, investe em energia solar (o que muitos desacreditaram pelo clima, mas tem funcionado) e no plantio de árvores.

Mas a cereja do bolo são as políticas públicas construídas em conjunto com as pessoas, que são fortemente incentivadas a se juntar a grupos locais e a opinarem. Isso garante a participação de todos e a implantação de projetos que fazem sentido.

🌿 Estocolmo, Suécia  

Políticas ambientais são prioridade em Estocolmo! Todos, governo e cidadãos, contribuem para que elas funcionem, o que é um diferencial da cidade.

Além da progressiva troca dos combustíveis fósseis pelo biocombustível, a cidade trata o ambiental como um problema do mundo e não apenas local.

cidades sustentáveis - estocolmo

🌿 Columbia, Estados Unidos

O que chama atenção em Columbia é a presença de grupos de pessoas que se juntam para limpar rios, restaurar áreas de vegetação, promover a reciclagem e contribuir para a conservação do patrimônio público.

Fato é que a cidade investiu muito na conscientização das pessoas e implementou programas como o Columbia’s City Green, que estipula quanto cada tipo de empresa gasta, paga parte de uma auditoria para verificar isso e, assim, ajuda na modernização da fonte energética do negócio para reduzir o desperdício.

🌿 Durban – África do Sul

Os esforços locais são para a cidade se tornar lixo zero em 20 anos, o que significa reciclagem do que é possível e não consumo do que não se aproveita.

🌿 Singapura – República de Singapura

Esta é a cidade mais sustentável da Ásia, que vê a o apelo ao verde também como forma de melhorar sua própria marca e para deixar a cidade mais bonita. Ao meu ver, os motivos não importam, mas sim os resultados que essa escolha gera para as pessoas e para o meio ambiente em Singapura!

cidades sustentáveis - singapura

Há tanto engajamento nesse projeto, que Singapura tem um plano super consistente que fica disponível no site Sustainable Singapore. O objetivo é que a cidade se torne Lixo Zero e use a tecnologia para ter água e ar limpos, construções, energias e transporte com impactos ambientais positivos dentro de 20 anos.

Com 30% de vegetação, a cidade já oferece reaproveitamento de água das chuvas, energia solar, apoio ao setor de turismo. Não é à toa que os maiores eventos sobre sustentabilidade acontecem lá!

🌿 Seoul – Coréia do Norte

Além do foco em incentivar as pessoas a usarem o transporte público e as bicicletas, Seoul também é forte no Passive Design.

Passive Design, ou design passivo em português, é um modo de projetar e construir edificações inteligentes feitas para gastar menos energia e recursos. Facilitando a entrada de mais luz e gerando um ambiente fresco, o uso de energia elétrica das luzes e do ar-condicionado é reduzido.

Outro ponto forte de Seul está no uso e otimização da energia solar.

🌿 Várias cidades da Califórnia – Estados Unidos

A Califórnia é um estado que se destaca pelas práticas de apoio à preservação do meio ambiente, o que não acontece no resto do país porque é uma política local e, como todos os estados norte-americanos são independentes, eles têm seus próprios objetivos. Mas é claro que torcemos para que todos adotem as ações das cidades sustentáveis californianas!

Por lá, a tecnologia é o meio para resolver os problemas do clima, da água, dos alimentos e da energia. Um bom exemplo é a institucionalização de que pelo menos 10% das vendas de carros devem ser das versões elétricas, produto que recebe incentivos para se tornar mais acessível à população.

🌿 Gothenburg – Suécia

Gothenburg se destaca por 2 pontos.

O primeiro são as estratégias para resiliência às mudanças climáticas, sendo a principal os telhados verdes. Eles aumentam a camada de vegetação em uma cidade, promovem a transformação do dióxido de carbono em oxigênio e contribuem para a manutenção do clima.

O segundo diz respeito à cooperação entre público e privado, que permite que o capital de terceiros resolva os problemas de sustentabilidade local. Há um setor especializado no governo que atrai empresas para as iniciativas verdes que trabalha da seguinte forma:

  • Um projeto é desenhado para atender determinada necessidade e apresentado para que o governo avalie e possa, se fizer sentido, apoiá-lo;
  • Caso aprovado, o projeto entra na fase de planejamento detalhado, o que contempla sua estrutura, os recursos necessários e como será implementado;
  • Com o projeto muito bem planejado, o governo passa para a captação de investidores privados, ou seja, da venda de green bonds;
  • O passo final é a implementação.

Um bom exemplo local dessa parceria, são os ônibus da Volvo que rodam pela cidade: a frota é 100% elétrica! Mas antes do projeto, esse tipo de ônibus nem existia.

E os suecos já são tão experientes nisso, que exportam esse modelo até para a China!

Para saber mais, acesse o site Sustainable Lifestyle Scandinavia, a empresa que leva os projetos de sustentabilidade ao governo de outros países.

🌿 Paris – França

Sabia que Paris é a cidade que mais apoia o viver sem carro?

Quando um parisiense vai comprar uma bicicleta, o governo subsidia 25% desse valor!

E os incentivos para a redução das emissões de carbono vão além! A cidade tem regras regras para reduzir a produção dos modelos de carros mais poluentes e subsidia também a produção de carros elétricos.

Deixo a seguir um documentário do WWF sobre as “cidades verdes” no mundo, da qual Paris e outras citadas nessa lista fazem parte. Vale a pena dedicar tempo para assistir!

🌿 Helsink –  Finlândia

A capital finlandesa ganha pontos por sua eficiência em construir de forma sustentável, utilizar fontes de energia limpa e ainda oferecer um excelente sistema de transporte público.

Os cidadãos locais também fazem parte dessa sustentabilidade: todos contribuem para que a cidade se mantenha limpa.

🌿 Copenhague – Dinamarca

Em 1960, quando as ruas já estavam ficando abarrotadas de carros, os dinamarqueses perceberam que os veículos estavam atrapalhando a mobilidade dos pedestres e dos ciclistas. A partir daí, o governo do país começou a direcionar esforços para facilitar a rotina de quem anda a pé ou na bike.

E detalhe: a ideia nunca foi ser uma “cidade das bicicletas”, mas, sim fazer a cidade funcionar para todos.

Bicicletas pelas ciclovias planejadas, telhados verdes, muita vegetação, transporte público de qualidade e elétrico, como em outras cidades da listas. Mas o que só Copenhague tem é o tratamento da água vinda em navios para seu porto.

Para saber mais, confira o site da cidade de Copenhague.

Cidades sustentáveis no Brasil

Nosso país tem cidades que se destacam como sustentáveis sim. Mas todas elas têm uma vantagem verde sob as demais espalhadas pelo mundo: nossa principal fonte de energia é limpa e renovável, a hidrelétrica.

Esse único fator é capaz de nos colocar como campeões em uso de energia limpa e menor emissão de gases tóxicos, uma vez que em países mais frios os gases e combustíveis são largamente utilizados como fonte energética.

Apesar desse lado bom, ainda temos muito a melhorar, já que as obras para a construção de uma hidrelétrica causam muito impacto negativo na área alagada. Mas a boa notícia é que municípios brasileiros estão trabalhando naquilo que é possível fazer para serem cidades sustentáveis.

Conheça-as agora:

🌿 Curitiba

Tem bastante área verde e um ar muito limpo para uma metrópole.

Além de um planejamento urbano que contempla a mobilidade, a cidade tem um sistema de prevenção de enchentes, que existe graças a toda a área de parques que consegue reter a água.

🌿 João Pessoa

A capital da Paraíba foi escolhida para ser uma cidade modelo em sustentabilidade. O projeto feito em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Caixa Econômica Federal é um plano para ser executado em 30 anos.

A execução das melhorias já está em vigor e o acompanhamento é feito anualmente.

O João Pessoa Cidade Sustentável leva em conta todos os pilares do sistema (pessoas, economias e ambiente) e tem melhorado questões de mobilidade urbana, saúde, bem como agilização de processos de licenciamento para negócios.

Você pode conferir o Plano de ação João Pessoa sustentável neste link.

🌿 Londrina

O destaque de Londrina vai para a rede de catadores que colaboram para a limpeza e uma boa taxa de reciclagem na cidade. Além de uma ação ambiental, também é uma forma de dar visibilidade a esse trabalho tão importante.

Outro projeto relacionado é o Cesta Verde, onde famílias trocam objetos recicláveis recolhidos por alimentos. É uma iniciativa incrível e você pode saber mais sobre ela neste link.

🌿 Extrema

Com histórico agropecuário e consequente degradação ambiental, a cidade se destacou por suas ações de compensação.

Através do projeto Conservador das Águas, agricultores que preservam o ambiente são remunerados por essas práticas.

Práticas que podem facilmente ser adotadas em qualquer cidade

Enquanto pessoas, comunidade ou até como governantes, notamos como existem oportunidades de melhorar as questões ambientais urbanas que não exigem grandes investimentos ou a preparação de grandes estruturas.

Então, por que não colocar em prática? Iniciativas simples não faltam:

  • Organizar redes de voluntários para dar aulas para crianças sobre redução de lixo;
  • Se conectar com as cooperativas de catadores para com que haja o aumento da coleta;
  • Campanhas para estimular o respeito aos pedestres e ciclistas, bem como para usar menos o carro.

São coisas simples porém a dificuldade está no aspecto cultural. Mas, sim, eu acredito que dar o exemplo mostra para quem não tem o hábito de pensar em sustentabilidade que é possível agir!

Responsabilidades governamentais para criar cidades sustentáveis

Quis muito criar esse tópico dentro do texto porque acredito que isso possa chegar às autoridades públicas. Se você conhece quem trabalha em uma prefeitura ou governo ou se faz parte dessa equipe, espalhe esse conteúdo.

Gosto sempre de lembrar que nada muda se as pessoas não sabem que é preciso e possível fazer diferente.

Então, governos e demais secretarias vejam aqui o que devem fazer para tornar as cidades sustentáveis e ideais para as pessoas e para o meio ambiente.

  • Se conectar com ONGs e lideranças locais para mapear os problemas e gerar discussões, até então não pensadas. Assim, é possível começar tratando problemas reais que terão impacto e o apoio dos cidadãos.
  • Governos devem alinhar seus objetivos de crescimento com as necessidades sustentáveis. Afinal, elas colaboram para colocar o interesse público à frente e, no longo prazo, geram economia de recursos e até financeira.
  • É preciso haver incentivo à economia circular. Assim, o uso de bens e serviços comuns, ao invés dos individualizados, garante que os cidadãos tenham acesso a esses processos, serviços e produtos mais eficientes sem maiores gastos ou barreiras. Do mesmo modo, evitar o descarte, conduzindo a reutilização ou reciclagem, é essencial.
  • Terceirizar áreas em que o trabalho pela cidade sustentável pode ser mais eficiente. Um governo, por exemplo, não terá expertise em internet das coisas, gerenciamento com Big Data, dentre outras tecnologias. No entanto, para que o outsourcing dê resultados, é possível escolher empresas capacitadas para cumprir essas funções.

É claro que projetos, planejamento e investimentos serão necessários. Mas essas coisas são a obrigação mínima que nossos governos deveriam prestar, não é mesmo?

Como pessoas podem colaborar para uma cidade mais sustentável

É simples: o que você pode fazer para reduzir as emissões de carbono que gera, empoderar a economia local e reduzir drasticamente o lixo que produz?

Dá para trocar o carro pelo transporte público, pela caminhada ou pela bicicleta. É possível comprar sempre no seu bairro, tomando cuidado para dar preferência ao que foi totalmente produzido ali em vez de ter sido trazido de fora. Ainda, é fácil ter uma composteira em casa e praticamente zerar o descarte de lixo orgânico, além de ter um consumo consciente evitando o que você não precisa e os descartáveis.

Já é incrível o que podemos fazer na esfera individual. Mas cada pequena mudança de hábito pode ser potencializada e conseguirmos ter o apoio de um grupo.

Seus familiares, amigos próximos, vizinhos ou até o pessoal do trabalho podem fazer parte de um grupo formado por você para colocar essas ações práticas e trocas ideias, como foi o caso do Transitions Town, movimento surgido na Inglaterra para que pessoas buscassem soluções para o clima.

Leia também: Como tornar sua empresa sustentável

Influenciar pessoas a nossa volta sempre é o ideal, mas se achar que está difícil, comece pelo que você pode fazer. Não duvido que em breve vai conseguir inspirar mais gente! (Aliás, é o que e faço!)

E, nesse caminho, recomendo que você coloque em prática os 11 mandamentos do cidadão sustentável:

  • Use seu carro o mínimo possível e, quando usar, procure dar carona a outras pessoas. Desse modo, você faz valer o carbono gasto no transporte.
  • Vote naqueles que se importam com a sustentabilidade. Como as esferas governamentais têm o poder para executar grandes projetos, precisamos de políticos que representem esses interesses. Na hora de votar, verifique se o que seus candidatos querem é para o bem ambiental ou se pode contribuir para sua degradação.
  • Reduza ao máximo o lixo vindo de embalagens. Para isso, é possível comprar mais alimentos naturais em vez dos industrializados que vem no pacotinho, e evitar sacolas no geral. Isso garante menos lixo indo pro aterro sanitário, para o solo e para os mares.
cidades sustentáveis - zero lixo

É preciso mais consciência pro consumo e descarte do lixo que produzimos!

  • Compre alimentos orgânicos produzidos localmente: os alimentos agroecológicos evitam que o solos, os lençóis freáticos, as pessoas que plantam e aquilo que comemos sejam contaminados com substâncias muito danosas. E quando você adquire esses alimentos de produtores locais, você colabora com a economia da sua região e evita que mais combustível seja queimado para suas verduras e legumes chegarem até você.

Conheça Onde encontrar orgânicos em BH e faça uma lista dessas para sua cidade!

  • Plante sua própria horta: ter seus próprios temperinhos é um meio de reduzir seu consumo em supermercado reduzindo plástico e produzindo alimentos sem gastar recursos. Se possível procure fazer uma horta comunitária que pode acontecer em um terreno abandonado, em um quintal, no terraço de um prédio ou em uma praça. Se não der, vá de horta em apartamento mesmo!
  • Consuma o mínimo possível fora de casa: o estabelecimento que você vai pode ter usado muitas embalagens plásticas e promovido muitas emissões de carbono para você saborear sua comida. Isso acontece sempre e em todo lugar! Portanto, preparar suas refeições em casa pode, sem dúvida, reduzir impactos ambientais uma vez que está em suas mãos conhecer a procedência do que consome.
  • Respeite as regras do lugar para o qual você viaja. Entender como eles descartam o lixo, o que é permitido, bem como não desperdiçar embalagens e alimentos quando você está fora da rotina é uma questão de respeito com as pessoas de um lugar que te acolhe. Seja sempre um viajante sustentável!
  • Doe ou venda o que você não usa mais: fazer bens parados voltarem a circular é super importante para reduzir a produção em excesso (quase sempre poluente) e valorizar os bens que duram em vez de sempre enxergá-los como descarte.
  • Faça refeições veganas com frequência: pode ser que as fazendas industriais de onde seus derivados animais vem não estejam próximas a sua cidade, mesmo assim elas causam muito impacto local. Carnes, leites e ovos influenciam na sua saúde, em mais embalagens no supermercado e ainda tem um tempo de validade bem baixo, o que aumenta de serem desperdiçadas.
  • Leve informação sobre sustentabilidade às pessoas. Achar um absurdo o que uma Samarco da vida fez à Mariana é muito pouco para o que o nosso planeta exige da gente. A atitude aqui precisa ser pró-ativa. Assim, além de agir seguindo as dicas aqui, leve informação de qualidade às pessoas.

Não coloque medo ou alarmismo, fale sobre cada um fazer parte e ter poder na escolha. Somos nós que construímos o mundo que queremos viver, ou seja, as cidades sustentáveis que queremos ver aparecer.

Viu como podemos fazer muito?

Sou super defensora do comece pequeno pelo que pode porque as pessoas vão enxergar essa necessidade e se inspirar você.

Por fim, não se esqueça que tornar as cidades sustentáveis é uma questão de parcerias entre cidadãos, os interessados, e governo, quem pode executar grandes projetos.

A chave do sucesso é sempre seguir em frente, se informar, fazer e espalhar!

Gostou? E agora quero saber: sua cidade é sustentável? Você tem ideias para implantar projetos bacanas por lá? Comente aqui!

 

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