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É caro ser vegano ou vegetariano? 12 verdades que você deve saber

Escrito por Ludmila Alves 7 de janeiro de 2018
É caro ser vegano ou vegetariano? 12 verdades que você deve saber

Temos que admitir: o preço é um fator decisivo em quase tudo que vamos escolher na vida. E por que isso seria diferente quando o assunto é alimentação? Não é! E exatamente por isso a questão “é caro ser vegano” entra em pauta e vira empecilho para que as pessoas tenham uma alimentação mais natural, benéfica aos animais e ao planeta.

O que tenho visto como resposta é, de um lado veganos e vegetarianos dizendo que é um estilo alimentar barato, enquanto do outro, há comedores da “alimentação convencional” dizendo que ser vegano é caro, aliás, muito caro!

A alimentação vegana ou vegetariana não é cara e nem barata, o quanto se paga no final das contas vai depender de muitos fatores. O que precisa ficar claro aqui no nosso mundo internético é que uma alimentação livre de produtos animais vale a pena e se você se cuidar direitinho, será muito saudável, vai gastar menos indo ao médico e não precisará gastar rios de dinheiro com comida.

Para mostrar isso, listei aqui todos os pontos que podem deixar a alimentação vegana cara, barata ou em um preço justo. Leve essas verdades em consideração ao fazer as melhores escolhas para você e também quando for argumentar sobre o tema. 😀

Comida de verdade é sempre a mais barata

Entenda por comida de verdade aquela que não é a comida industrializada, ou seja, vem diretamente da natureza e não tem aditivos químicos (a.k.a. aqueles ingredientes estranhos no rótulo que não temos na cozinha). Além de ser a mais saudável, é a mais barata. E isso é a comida vegana “raíz”.

Os vegetais são sempre os itens mais baratos da sua cesta básica. Pode conferir na nota fiscal pra comprovar! Por quais outros produtos você paga R$ 6,90 o quilo, o preço da maçã gala em época de safra, ou R$ 4,90 o quilo, a abobrinha italiana?

A Rita Lobo, uma chef muito maravilhosa que todo mundo deveria conhecer, tem um curso com o professor Carlos Monteiro, coordenador do “Guia Alimentar para a População Brasileira” e do Nupens (USP), onde eles dedicam um capítulo para falar sobre “Como posso comer comida de verdade sem gastar mais?”.

 

 

Segundo o professor Monteiro, somos privilegiados de, no Brasil, as hortaliças, frutas e outros alimentos ainda serem mais baratos do que os industrializados, o que não acontece em países como Estados Unidos e Alemanha. Para evitar isso, é preciso que sejamos consumidores conscientes e não deixemos de comprar alimentos de verdade para que sua demanda não caia porque, afinal, sem isso o preço subirá.

No vídeo, eles destacam 3 pontos para observamos ao consumir a comida de verdade e, então, gastar menos:

1 – Fique de olho na sazonalidade

Comprar morangos, por exemplo, na época de sua safra, deixa eles mais baratos no supermercado, afinal, o preço de produção é menor já que a natureza colabora para uma colheita melhor. Isso também vale para os orgânicos: obviamente que um produto fora de época ou importado não será o mais barato.

E sobre os orgânicos, mesmo que eles custem um pouco mais é preciso que a gente dê preferência a eles:

  • por serem livres de agrotóxicos, eles são bons para a nossa saúde;
  • por terem crescido no tempo certo, eles têm menos água e são mais saborosos;
  • por virem de pequenos produtores, colaboram com famílias que vivem desse sustento.

São muitas as vantagens que não podem ser ignoradas e que trazem impactos positivos à saúde, à sociedade e ao meio ambiente.

Para que o preço reduza, precisamos comer mais alimentos orgânicos. Basta que você respeite o tempo certo deles e compre em locais onde eles são vendidos a um bom preço.

2- Faça uma hortinha em casa

Ter uma hortinha em casa com alguns vasinhos de temperos como manjericão, salsinha, cebolinha, orégano e afins faz com que você gaste menos com esses itens importantes para saborizar e aromatizar a comida.

Além disso, estará consumindo orgânicos e impedindo que seus maços de temperinhos murchem na geladeira.

 

É caro ser vegano. Faça uma horta em casa e não pague por temperinhos!

Hortinha: veganos e não veganos têm que ter!

 

3. Reaproveite as sobras

Congelar a comida para não perder nada e saber como reaproveitar bem os restinhos para transformá-los em delícias na cozinha é super importante! Se você é daqueles que quando sobre umas 3 colheres de purê de mandioca joga fora, precisa rever os seus conceitos. Dá para usar esse pouquinho de novo!

O Curso Comida de Verdade é um material incrível disponível no Youtube que todo mundo deveria assistir. São 10 vídeos bem didáticos cheios de dicas muito úteis. Caso tenha se interessado, clique aqui para assistir.

 

Comprar comida é um ato político: votamos pelo que queremos ver nas prateleiras

Até que todos nós percebamos isso e comecemos a aplicar o consumo consciente sustentável, continuarei a bater nessa tecla aqui!

Quando todo mundo entender que a responsabilidade pela oferta e demanda é nossa e que somos nós que mandamos no que nos é oferecido e no preço desses itens, as pessoas vão comprar de uma forma diferente, com muito mais senso crítico.

Então, se alimentos veganos estão caros, lembre-se que isso pode ser mudado.

Você pode ler mais sobre essa relação sobre comprar comida saudável como maneira de torná-la mais acessível, disponível e barata na matéria da revista TPM “Por que comida saudável é mais cara”.

 

 

Industrializados também podem ser baratos. Cuidado!

Quer comer só alimentos baratos? Refrigerantes já custam menos do que sucos naturais, bolachas recheadas saem mais em conta do que bandejinhas de legumes e uma massa congelada é mais baratinha do que uma boa massa fresca.

Vegano pode comer pagando pouco e quem segue uma alimentação onívora também pode comer pagando pouco. Mas se ambos recorrerem aos industrializados de baixíssima qualidade, compostos basicamente de açúcar, óleo, farinha refinada e conservantes, terão a almejada alimentação barata.

Portanto, temos que ter cuidado ao colocar o que custa menos como fator de escolha. A nossa saúde e energia irão sentir o preço dessa alimentação pobre em nutrientes.

Os preços nos “mercadões” e feiras são mais em conta

Sabe todas aquelas sementinhas e grãos que são bem importantes e práticos para garantir as doses diárias de proteína para quem reduz ou corta o consumo de produtos animais? Estou falando de alimentos como a chia, amaranto, quinoa e feijões diversos. Eles têm um preço ótimo fora do supermercado.

Por que isso acontece? No supermercado ou naquelas “vendinhas gourmet” de produtos naturais, esses alimentos e outros como as castanha, frutas secas e farinhas têm uma marca. Isso significa ter uma empresa por trás que contrata pessoas (e precisa remunerá-las), que gasta com propaganda para se tornar conhecida e que coloca os produtos em embalagens bonitinhas, padronizadas e resistentes. Todo esse processo adiciona custos extras.

Se você acha injusto pagar R$ 18,00 em 150 g de chia, experimente ir a um mercadão e comprar esse mesmo produto a granel. Aqui em Belo Horizonte, pago menos de R$ 5,00 por 200 g de chia no mercado central.

É caro ser vegano se você aceita pagar o preço que não é menor indo nos lugares errados.

Vegano, vegetariano ou onívoro: todos ainda desperdiçamos alimentos em casa

Você concorda que se gasta R$ 200,00 comprando alimentos para uma semana e, por descuido, desperdiça parte disso, você está saindo no prejuízo e realmente pagando caro? Comprar alimentos perecíveis, que são os naturais, pode resultar em desperdício já que eles têm um prazo de validade curto.

Para fazer o que foi pago valer, conheça as melhores formas de conservar alimentos, reaproveite-os e congele o que não for consumir.

 

Gourmetizar = encarecer

Não é caro ser vegano, caro é ser gourmet!

Ser gourmet é consumir um alimento de pouca disponibilidade mas que é vendido como algo que é mais saboroso e puro, ou tem mais benefícios à saúde ou ajuda a emagrecer.

Quando o alimento tem pouca disponibilidade significa que ele vem de muito longe ou é pouco produzido, o que torna sua distribuição mais cara.

Quer um bom exemplo de gourmetização onde as pessoas pagam caro por algo vegano?

O blueberry (mirtilo em português), frutinha riquíssima em antioxidantes, dá em um arbusto de climas temperados que nasce na Europa. Já vi um pacotinho com menos de uma xícara de mirtilos sendo vendido aqui no Brasil a R$ 16,00. Sabe qual fruta nacional é equivalente ao mirtilo e ninguém dá bola? A jabuticaba! Em época de safra, o quilo sai a menos de R$ 30,00. Com o valor de menos de uma xícara de blueberries (umas 150 gramas), você compra meio quilo de jabuticaba!

 

Logo, quem compra produtos gourmet paga caro! Não se deixe levar pela propaganda. 😉

 

Ir ao nutricionista implica em mais gastos

Para mim foi muito importante ir a um nutricionista e de modo algum quero desincentivar alguém a cuidar de si mesmo. Lá descobri que preciso de suplementação de B12 (isso varia, mas tem pessoas que queimam essa vitamina muito rápido, como é meu caso) e, de vez em quando, de ferritina. Sem esse investimento eu não conseguiria ter uma vida saudável e com energia tendo a alimentação que sigo hoje em dia.

Ir à nutri inclui exames de sangue, que faço 2 vezes por ano e pagar pelas consultas. Isso faz com que ser vegano fique caro? Sejamos sincero, um pouco.

Te contando isso, eu quero dizer a verdade, o que não significa que isso não vale a pena, porque é de extrema importância. Eu nunca fico doente, portanto não compro remédios e não me lembro a última vez que fui ao médico.

Comida local custa menos (e é mais sustentável)

Quinoa, amaranto, gojiberry, blueberry e aspargos são comidinhas que aparecem com frequência no feed das blogueiras fitness, não é mesmo? São caras pela marca, mas também porque têm uma produção limitada e geram gastos de transporte para chegar de longe até a lojinha mais próxima da gente.

Do mesmo modo, ir ao mercado e comprar aquela salada já lavada, seca e embalada que vem da região que mais produz hortaliças no seu estado, não será a melhor opção se você quer economizar.

Já ir à feira de produtores locais traz muitos benefícios. Os alimentos podem ser mais baratos pelo transporte facilitado e eles estarão mais frescos, ou seja, mais saudáveis!

Além de ser bom para o bolso, comprar produtos locais, produzidos o mais próximos o possível de onde você está, colabora para a geração de riqueza local. É bom para a economia da sua região porque gera empregos para as pessoas nas suas proximidades e permite que essas pessoas comprem. Tudo está ligado nessa vida!

Não apoie restaurantes que cobram caro pelas opções veganas

Por não apoiar entenda não ir, não voltar e, mais importante, notificar restaurantes que cobram um preço injusto pela comida vegana. Sabe aquela salada de alface e tomate que é a única opção pra você e custa R$ 30,00? Não aceite pagar isso!

Quanto mais você paga, mesmo que a contragosto, por opções que são simples mas custam muito, estará incentivando mais do mesmo.

Houve uma vez que perguntei a um restaurante com menu de pratos executivos durante a semana se eles poderiam substituir a tilápia de um dos pratos por cogumelos. A moça que me atendeu ficou bem chocada com a minha ousadia e disse “Não. Cogumelos, não.” Óbvio que ela pensou em cogumelos como itens bem caros e de difícil acesso.

Se você pesquisar, encontrará o quilo do filé de tilápia por um valor um pouco maior que R$ 40,00. E ao continuar essa pesquisa de preços, vai encontrar cogumelos orgânicos do tipo champignon, porto belo ou shimeji por menos de R$ 50,00. É uma diferença que pode ser entre R$ 5,00 a R$ 10,00 que não faria o restaurante perder o lucro.

E, nessa história, o restaurante me perdeu como cliente, prejuízo maior se isso for recorrente!

Substituir carnes e queijos não é uma obrigação

Entendo que tem gente que quer veganizar ou pelo menos reduzir a quantidade de produtos animais consumidos mas gosta muito do sabor das carnes e dos queijos. Por isso, esse pessoal precisa dos derivados fake, as imitações de bifes, almôndegas, queijos, requeijões e afins. Esses industrializados são bem caros: sua produção exige produtos  e esforços extras para deixar essas versões veganas parecidas com as reais.

No entanto, essa substituição não é uma regra. Ela só será uma estratégia usada por aqueles que não conseguiram se habituar a viver sem as comidas que estiveram acostumadas por toda uma vida.

Se você não precisa das versões veganas dos produtos feitos de derivados animais, não vai gastar nada. Vai economizar!

Existem coisas caras na alimentação vegana: suplementos

Um nutricionista aumenta o valor do seu custo de alimentação? Sim! Além disso, se você for vegano, vegetariano ou até alguém onívoro que não ingere nutrientes o suficiente terá que tomar suplementos para ficar com a saúde em dia. E o preço deles vai variar conforme a dosagem adequada pra você.

Já li sobre pessoas que demoram a necessitar de suplementos mesmo sendo veganas, mas não é o meu caso.

Algo que fiquei muito consciente sobre é que se a gente não cuidar dos nutrientes que podem abaixar, como a B12 e a ferritina, ficamos mais suscetíveis a ficar apáticos e a deixar valores pessoais de lado para comer produtos animais de novo. Portanto, fique muito atento a isso!

Além desses nutrientes, há a proteína. Nem todo mundo vai precisar de uma dose extra, mas como faço bastante exercício físico preciso de proteína isolada sim.

Não adianta economizar em comida e ter uma péssima saúde!

Você quer ter uma alimentação bem barata? Fast foods, alimentos mega processados e refrigerantes podem te permitir isso, mas tenho certeza que não vale o custo. Fazer mal a si mesmo e ainda viabilizar uma indústria que não se preocupa com a saúde de ninguém, apenas com o próprio lucro, não é bom a nível social.

Então, toda vez que for comprar itens saudáveis, por vezes orgânicos, pense em todo o bem que estará fazendo para a sua saúde, para a sociedade e para o meio ambiente e honre esse privilégio! E como vimos aqui, há várias maneiras de ter uma alimentação vegana acessível.

É caro ser vegano ou vegetariano?

Após estas 12 verdades, espero que tenha ficado claro que pode ser barato ser vegano ou vegetariano.

Como também pode ter o mesmo custo se você comprasse carnes e queijos (que combinemos, não têm nada de baratos) ou, por fim, pode ser mais cara se você for lá e comprar todos os produtinhos que além de veganos são fitness, vindos de longe, com ingredientes nem tão acessíveis e anunciados pelas blogueiras que nem pagaram por eles.

Espero que com a informação desse post você possa dar melhores respostas diante dessa pergunta que, ao menos que pelo que parece, iremos ter que responder bastante!

E para você, é caro ser vegano ou vegetariano? Divida a sua opinião por aqui! Vou adorar saber o que pensa disso. 😊

 

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2 Comentários

Cinthia 3 de março de 2019 - 07:43

Nossa adorei a materia.Obrigada pelo conteudo fantastico e muito informativo muito obrigada!

Vou compartilhar com os meu amigos!

Obrigada

Reply
Ludmila Alves 7 de março de 2019 - 07:16

Oi, Cíntia!
A ideia é essa mesmo: fazer com que mais pessoas entendam sobre a realidade da maquiagem convencional.

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