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O que a natureza representa pra mim e por que sustentabilidade importa

Escrito por Ludmila Alves 29 de março de 2019
O que a natureza representa pra mim e por que sustentabilidade importa

Eu tento justificar a sustentabilidade ambiental com dados, informações, argumentos de especialistas, livros, documentários e notícias. Isso tudo é real e importa, mas não dá conta de explicar tudo o que a natureza representa pra mim.

Em um formato diferente de texto, hoje trago a minha verdadeira opinião sobre preservação e regenaração de florestas, animais e ecossistemas. Escrevo também por que isso é um tema fundamental na minha vida e o que eu gostaria que todas as pessoas enxergassem.

Espero que este post inspire outras pessoas a falaram sinceramente sobre essas questões e mostrarem que a gente não precisa provar nada pra dizer que é urgente cuidar do nosso planeta Terra.

 

O meu entendimento sobre natureza e seu papel

Já contei que eu sou de cidade pequena e que tanto a família materna quanto paterna, cresceram na roça (como eu sempre chamei fazenda, chácara, sítio e similares). É por isso que eu conheço tão bem a beleza e a abundância do ambiente natural.

Entre árvores, flores e animais, o ar é puro, os sons são harmônicos e os alimentos mais saudáveis que existem nascem sem agrotóxicos no quintal. Para onde olhamos tem verde, tem sombra, tem frescor, tem o clima quente do nosso país, mas com certeza mais ameno e sem o calor do asfalto e do concreto.

 

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É tão óbvio que a natureza tem tudo o que a gente precisa pra viver muito bem, com conforto e sem escassez. Você consegue perceber isso?

Quem tem o privilégio de morar no campo vive uma rotina muito sustentável, antes disso ser considerado tendência.

Pela vivência que tive, eu percebo a natureza como a fonte de beleza, saúde, regenaração, resiliência, abundância e realização. Com os recursos dela, temos plenitude.

Com os recursos artificiais, temos muitos gastos, doenças, falsas necessidades e escolhemos (mesmo que inconscientemente) nos alienar e esquecer que a natureza é essencial para nossa espécie e para todas as outras.

Natureza é a vida. E conhecendo-a é impossível não falar de sustentabilidade.

O que é sustentabilidade

Sustentabilidade significa executar coisas de modo que você possa continuar fazendo-as. É fazer com cuidado para não precisar parar a atividade. Simples.

Depois da minha pós-graduação em especialização de negócios, notei como a palavra sustentabilidade também é empregada para ações empresariais e políticas. Desenvolvimento sustentável, economia sustentável, crescimento sustentável e afins.

Mas toda essa sustentabilidade financeira e econômica não tem a ver com a sustentabilidade ambiental. 😥

Sustentabilidade ambiental para as instituições

Para empresas, governos, projetos, para as leis e para o Ministério do Meio Ambiente, sustentabilidade ambiental é fazer todos os empreendimentos acontecerem conhecendo seu impacto ambiental e minimizando-os segundo interesses privados.

Eu até poderia colar explicações para esta definição aqui. Mas se você pesquisar e avaliar discurso e prática, vai ver que o parágrafo anterior resume bem a visão das instituições.

Mesmo em meio a apresentações bonitas, poucas são as instituições que se preocupam com a preservação dos recursos naturais.

Sustentabilidade pra mim e por que ela importa tanto

Vejo a sustentabilidade ambiental como o único caminho. E ele é urgente!

Pra mim, sustentabilidade é usarmos os recursos da Terra sem esgotá-los, cuidando do equilíbrio natural, fazendo uso consciente e somente do que é necessário. É usarmos a natureza como fonte de vida e não como fonte de lucro.

E é esse uso da palavra sustentabilidade que trago aqui no blog e no conteúdo que compartilho pelo Instagram.

 

O sistema capitalista, o lucro e o meio ambiente

Sou classificada como alguém de esquerda pelos meus ideais, mas acho que nesse tópico pouco importa nossa visão política.

Pretendo aqui fazer uma análise crítica do sistema capitalista e como ele contribui com a degradação ambiental.

Mesmo que ele não seja muito bacana, o sistema capitalista é natural: oferta e demanda regem preços e fazem com que pessoas em empresas tomem a decisão de produzir algo ou não.

Somos responsáveis por fazer esse sistema continuar. Mas o pior é que nós, mesmo sem intenção, colaboramos muito para fortalecer a lei do máximo lucro de qualquer jeito e com qualquer consequência.

Isso resulta em um ciclo de desvalorização e destruição de todos os recursos naturais: florestas, animais, solo, rios e mares, ar.

O ciclo do desrespeito ambiental

Empresas são consideradas as provedoras de emprego e, consequentemente, dinheiro e realização pessoal. Por isso, políticas públicas e as pessoas de modo geral têm um certo receio em criticá-las, afinal, elas proporcionam a saúde econômica.

Bom, pelo menos esta é minha percepção. Faz sentido pra você?

Assim, na nossa realidade das empresas no poder, muitas coisas acontecem pela sobrevivência delas:

  • leis que permitem a exploração ambiental em nome da produção desenfreada de bens. Como exemplo, temos a legislação ambiental para mineração, que não protege a natureza, apenas regulamenta a atividade;
  • benefícios financeiros para empresas;
  • cultura do desconto para vender mais. E mais bem adquiridos sem necessidade real significa mais lixo;
  • geração de necessidade nas pessoas por parte das empresas para que sintam que comprar vai resolver o problema delas;
  • aceitação social de que a degradação do meio ambiente é necessária para o desenvolvimento econômico;
  • pessoas vivem criando metas para ter sucesso considerando as empresas. Na prática, isso significa ter uma vida onde só existe tempo para trabalhar para uma empresa e consumir bens.

Existe uma crença (limitante) coletiva que percebe o desenvolvimento econômico como a melhor coisa que pode acontecer.

Uma usina no meio da Amazônia que vai desviar cursos de rios e tirar índios de suas terras vela a pena? Para o capitalismo vale sim. Afinal, para esse sistema uma usina dessas vai gerar energia para o país e emprego para muitas pessoas.

E não preciso nem falar que o lucro fica na mão de poucos. Isso você já sabe.

O que quero explicar claramente aqui é que a necessidade do desenvolvimento econômico, da construção e sobrevivência de empresas tem justificado o desrespeito com os recursos naturais.

Acontece que as necessidades de lucro foram criadas no imaginário social. Elas não são reais!

Nesse cenário, concordo e defendo que precisamos de dinheiro para viver e que não é problema algum adquirirmos aquilo que nos deixa feliz, como prega o minimalismo. Mas deixar a natureza de lado em nome do lucro das corporações é inaceitável!

Para as empresas (em especial as grandes que fornecem produtos físicos), o que vivemos hoje, da exploração ambiental à geração de lixo, é cômodo. Elas não têm interesse em mudar um sistema que elas já dominam e sabem como fazer cada coisa da forma mais barata.

Este é o problema.

Imagem do mini-documentário Story of Stuff.

No post sobre consumo consciente, eu coloco no item 2  o vídeo “História das coisas”, conteúdo essencial para entender a relação capital, lucro, descarte e degradação ambiental.

 

Ações que realmente podem mudar a forma como a natureza é tratada  

Mesmo que o sistema capitalista exista, aconteça por leis naturais e incentive o menor custo e o máximo lucro em todas as situações, somente nós podemos mudá-lo.

Não irão existir ações por parte das empresas ou da política se nós, consumidores e cidadãos que financiam a sobrevivência desses 2 setores, não exigirmos isso. É daí que acredito que a mudança começa no individual.

Gerar menos lixo, ter uma alimentação mais vegana e natural o possível, andar a pé ou de bike e consumir de forma consciente é super importante, faz toda a diferença e são ações que começam no indivíduo. Mas, somente elas não vão transformar a cultura de negligenciar a natureza.

As ações pela redução do lixo, especialmente para evitarmos o plástico, estão se fortalecendo, o que é ótimo. Vejo elas sendo muito positivas porque atuam em 2 aspectos:

  • inspiram outras pessoas: é verdade que uma pequena ação sozinha não tem impacto. Ela nos traz paz no coração, mas não resolve o problema. Mas qualquer atitude sustentável, se feita com verdade, incentiva as pessoas ao redor a fazerem o mesmo.

Pela minha experiência, isso funciona muito! Muitas pessoas mudaram atitudes pouco amigáveis ao meio ambiente só por conhecerem o que eu fazia.

Então, é esse o valor das ações pelo lixo zero: elas inspiram e promovem mais consciência entre as pessoas.

  • despertam a consciência e a busca por informação: consumo consciente é o começo! E uma vez que somos impactados por uma informação, as portas da pesquisa se abrem.

Um exemplo nesse sentido são os canudinhos plásticos. Foram algumas pessoas tocarem no assunto nas redes sociais, para muita gente olhar pra questão e utilizar versões que duram mais. Isso foi um gatilho para que novatos no assunto pudessem conhecer o problema do plástico.

Além das pequenas ações que podemos tomar, há os grandes movimentos, aqueles de maior impacto que realmente vão mudar o mundo. Alguns exemplos são:

  • escolher políticos que sejam engajados e dedicados nas causas ambientais;
  • vigiar as leis em tramitação e assinar petições quando possível;
  • se informar e repassar informação de qualidade para as pessoas sobre meio ambiente e sustentabilidade;
  • organizar boicotes a empresas ou instituições que são destruidoras de plantas e animais;
  • criar empresas sustentáveis, fazer parte delas ou agir para realizar essa transformação no local em que trabalha;
  • ser uma semente da transformação: falar para outras pessoas, sem julgamento ou insistência, da importância e da simplicidade das práticas sustentáveis;
  • participar ou criar hubs de movimentos ambientais como o Transition Towns;

Basicamente, a ação coletiva e a criação de demanda por produtos, negócios, políticas e ambientes sustentáveis é o que pode mudar o sistema.

Eu sei, parece quase impossível. Mas eu vejo que a mudança está acontecendo!

 

O blog Bistroveg

Desde criança, sinto uma enorme admiração pela natureza. Nunca consegui explicar o porquê.

Nessa época, eu já ficava angustiada em saber que árvores eram cortadas e rios poluídos sem que eu pudesse fazer nada. 💔 Culpava as grandes empresas e achava que tudo estava perdido.

 

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Mas, por acaso, descobri que o vegetarianismo que sempre pratiquei também é uma forma de evitar o desmatamento e a emissão de gases do efeito estufa.

Foi aí que tudo mudou: notei que pequenas ações são o pontapé inicial para preservamos a natureza. E mesmo que elas fossem pequenas, me fizeram sentir paz por estar fazendo o meu melhor. 💚

Depois disso, não parei de pesquisar e falar do assunto.

Mas mais gente precisava conhecer o que tenho descoberto. E aí este projeto aconteceu!

O blog nasceu da minha vontade de colocar para fora meu conhecimento desse mindset, das necessidades, das histórias e das ações possíveis para protegermos e multiplicarmos a natureza e tudo o que ela contém.

Minha única intenção é informar. Sem ser radical, sem dizer que as pessoas estão erradas ou são incoerentes. Sem 8 ou 80. A ideia é despertar em cada um a possibilidade do “o que eu posso fazer hoje para cuidar da Terra”?

E que ao passar o conhecimento que tenho, espero que as pessoas percebam que a ideia de desenvolvimento econômico vir acompanhando de danos ambientais é totalmente equivocada.

Quanta mais a gente desrespeitar as plantas, animais, o solo, a água e o ar, mais o planeta vai se voltar contra a nossa espécie, como tem acontecido com as mudanças climáticas.

e nós podemos escolher nosso lado. Como você está aqui, sei que estamos juntos preservando o que há de mais precioso: a vida em todas as suas formas.😊

Espero que este post te inspire a olhar para o meio ambiente com compaixão e se lembrar que nós fazemos parte dele.

 

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