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O que é o movimento Transition Towns?

Escrito por Ludmila Alves 12 de agosto de 2018
O que é o movimento Transition Towns?

É verdade que as necessidades do mundo são muitas e que os problemas são enormes!  Mas em vez de nos conformarmos e ficarmos parados, podemos começar uma mudança resolvendo algo local. É exatamente isso que o Transition Towns nos propõe.

 

O que é o Transition Towns?

Fundado pelo inglês Rob Hopkins, o Transition Towns surgiu como uma forma de solucionar o problema da nossa dependência por combustíveis fósseis que, além de ser um recurso não renovável, são extremamente poluentes e ainda contribuem para impactos climáticos.

Assim, esse “movimento de transição” é um meio para que comunidades criem projetos locais e se tornem independentes, ao mesmo tempo em que geram a colaboração entre as pessoas e obtenham resultados reais com as ações criadas em conjunto.

Plantio de árvores frutíferas, criação de mercados, estabelecimentos de concerto e locação de bicicletas, agricultura urbana e fortalecimento de negócios locais são apenas alguns exemplos do que já foi (e pode ser) feito por meio de grupos participantes do Transition Towns.

 

 

A ideia central é, em vez de ir contra o que temos no mundo, focar em soluções possíveis.

Para dar conta da missão, o Transition Towns é bem estruturado para que realmente incentive a criação de projetos comunitários que funcionam. Por isso, eles devem ser criados no modelo “Head, Heart & Hands”:

  • Cabeça: são as informações, as evidências e a inteligência do coletivo (experiências e repertório) que devem guiar um grupo a encontrar sua causa e a definir o que deve ser feito;
  • Coração: representa a compaixão e os valores, bem como toda a atenção ao lado emocional, psicológico e social desse trabalho. Afinal, é uma ação que depende do coletivo, formado por indivíduos que precisam estar motivados e engajados;
  • Mãos: é a transformação das ideias em projetos práticos de uma forma real e possível.

 

Os 7 ingredientes para fazer a Transição

Não é por mágica que projetos incríveis viram realidade em mais de 50 países que abrigam grupos participantes desse movimento. É por metodologia testada, comprovada e compartilhada.

Baseado no fortalecimento das relações interpessoais e na escuta como forma de entender os problemas locais que a comunidade precisa resolver,  o Transition Towns tem um guia onde explica os 7 princípios para o sucesso dos projetos.

Esse material é considerado tão importante, que é pré-requisito para quem tem interesse em formar um grupo para transição onde vive. E a versão em português pode ser encontrada nesse link.

Os 7 ingredientes são:

1 – Grupos saudáveis

Um grupo saudável é onde todos os envolvidos podem colaborar, tanto com ideias como com suas habilidades. Mas ele só acontece quando há sinergia, relações de amizade e confiança entre os participantes, bem como escuta e debate.

Mas um grupo alinhado é uma construção! Até chegar nesse ponto onde os envolvidos trabalham harmoniosamente em conjunto, ele irá passar por 4 etapas necessariamente:

  • Formação: ouvir cada envolvido e deixar claro o propósito do grupo;
  • Discussão: o debate e ideias diferentes são completamente normais dentro de um grupo. Por isso, é essencial saber ouvir e verificar se compreendeu a fala do outro. Uma excelente ideia é sempre ter um mediador nas reuniões, ou seja, alguém neutro no tema discutido, mas que pode gerar clareza para prosseguir;
  • Normatização: nessa fase é hora de definir quem ficará responsável por qual tarefa dentro do projeto;
  • Performando: quando a ação começa e surge o sentimento de que o projeto está indo atrás do objetivo.

É óbvio que podem surgir discordâncias, reclamações e pessoas insatisfeitas deixando o grupo. Isso vai acontecer e a melhor forma de lidar é honrando o tempo de  participação de cada um, organizando uma despedida e agradecendo. O mesmo tipo de ação é válida para um projeto que acabou.

Ainda para garantir o engajamento entre os envolvidos, é essencial escolher um lugar que seja de fácil acesso a todos que participarão dos encontros. E o primeiro deles deve ser o mais importante, afinal é quando as pessoas decidirão se vale a pena ou não participar.

Para assegurar uma primeira reunião que dê clareza e vontade de fazer parte da transição, é fundamental contar com pessoas diversas (idade, gênero, trabalho, condição social e afins),  um facilitador que fale bem para conduzir esse evento e uma explicação completa do que é e como funciona o Transition Towns.

Na sequência, também é necessário ouvir cada um (pode ser uma apresentação individual, além de falar sobre o problema que o incomoda e como ele pensou que pode ser resolvido) para, então, saírem de lá sabendo qual será a questão a ser solucionada por meio de um projeto.

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2 – Visão

Um projeto que funciona é aquele que tem uma mesma visão compartilhada com um foco claro e real.
Se a visão for para gerar localmente comida orgânica acessível, isso precisa ser sempre lembrado e visto como a meta do projeto.

transition towns - a logo do movimento

3 – Envolvimento

Algo que me chamou a atenção na leitura do guia para criar um grupo de transição foi:

Em vez de se perguntar “como engajar?” , que tal pensar “como tornar o movimento relevante para as pessoas daquela comunidade?”.

Afinal, envolver as pessoas que estão ali é essencial para ter apoio e para fazer o objetivo se concretizar. E a forma de tornar aquele projeto relevante para cada um pode ser despertada seguindo os passos:

  • garantir a diversidade no grupo;
  • realizar a escuta ativa para conhecer a visão de cada participante;
  • definir as necessidades tangíveis (ao invés de “parar o aquecimento global”, “manter um bom clima na cidade através do plantio de árvores e menor uso de veículos”);
  • criar pontes entre as pessoas, o que significa fazer amigos;
  • usar privilégios e posição para ajudar e não para falar de poder.

4 – Redes e parcerias

Construir uma rede é muito importante para trazer gente com habilidades complementares capaz de ajudar o projeto a cumprir seus objetivos. Uma rede de pessoas também auxilia a tornar mais fácil a indicação de novos integrantes, o encontro de parceiros (tal qual como governo ou empresas), o desenvolvimento de novas oportunidades e a possibilidade de levar esse projeto para outras comunidades.

Para gerar redes de pessoas e parceiros estratégicos que agregam à iniciativa é preciso se perguntar quais são as necessidades, pensar que tipo de ajuda seria útil e convidar os possíveis parceiros para um dos encontros do grupo.

5 – Projetos práticos

Nenhum grupo será próspero ou motivado se ele não partir para o lado prático e sentir que está causando mudanças positivas e reais no mundo.

Formas para colocar em prática a resolução de problemas não faltam! É possível começar por palestras de conscientização, feiras ou uma ação social em uma escola, por exemplo.

O passo seguinte também é uma forma de se inspirar para criar seus projetos locais!

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6- Parte do movimento

Lembrar-se que é parte de algo maior que já atinge mais 50 países é uma excelente forma de buscar ajuda, resolver situações, aprender e se inspirar nos outros projetos.

Para isso, é recomendado compartilhar sucessos e desafios com outros grupos de transição, além de visitar e participar de algum outro projeto do movimento.

7 – Refletir e comemorar

Analisar os acertos e erros, o que deve ser compartilhado com outros projetos do movimento, pensar em como melhorar e o que mudar deve fazer parte da realidade do grupo.

E, claro, após a análise dos sucessos, celebre! Isso ajuda muito no fortalecimento do coletivo.

Como começar um grupo do Transition Towns onde você está

Saber os 7 ingredientes do sucesso de um grupo que trabalha junto e traz resultados é o primeiro passo para que você forme um grupo. O passo seguinte será encontrar pessoas comprometidas a doar parte do seu tempo e sua energia a um propósito comum.

É recomendado que um grupo inicial tenha entre 5 e 8 participantes para começar as atividades.

Você pode chamar amigos, colegas e vizinhos que sabe que têm interesse em criar aqui e agora uma comunidade sustentável de forma colaborativa (não é um mundo hippie. É um melhoramento social, gente!). Por isso, é  importante sempre apresentar o projeto no sentido de unir o que é relevante com o que é possível, para que haja a percepção que existe um objetivo possível.

Pessoas, projetos e entendimento sobre o Transition Towns em mente,  agora você pode decidir se e como participar! Para isso, é preciso se registrar nesse formulário.

E caso queira se aprofundar, recomendo que conheça os projetos realizados pelo mundo e a comunidade Transtion Towns do Brasil.

E se já participa de um movimento desses, me conta nos comentários 🙂

 

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